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Filosofia de Pia – Poesia e Simple Bold

07/09/2016 - 2 Comentários - Filosofia de pia |

Teve uma vez em que fui a Curitiba por uns dias, e tinha tempo pra passear durante o horário de trabalho da amiga que me hospedou. Resolvi ir no MON, e lá encontrei uma exposição grandona sobre o Leminski – que até então eu não tinha lido.

Pra falar bem a verdade, sempre tive um certo bode de poesia. Pra mim, poesia tava associada a parnasianismos e maneirismos que simplesmente não assimilo. Não chego na compreensão do que esses caras muito abstratos querem dizer. Gostava só de uma ou outra do Pessoa, e daquela do Bandeira sobre o porquinho da índia.
Além do mais, achava que poesia era um negócio esnobe, pretencioso. Daí dou de cara com o Leminski! Fiquei até o museu fechar, pirando no universo dele.

No dia seguinte, minha querida anfitriã falou assim “Flo, vai lá conhecer a Arte e Letra. Você pode ir a pé, passeandinho e tal”. Eu fui. (Parêntesis: essa guria só me faz boas recomendações, é impressionante).

Tava naquele clima sem horário, livraria quieta no meio da semana, livros lindos, mesinhas. Isso foi quando lançaram Toda Poesia, ali mesmo comprei e comecei a ler. Foi quando mudei o jeito de pensar sobre poesia e deu vontade de achar outras que eu gostasse. A questão com o Leminski é ele ser muito acessível, muito a vida de todo dia. Só que com um jeito de olhar que geralmente a gente não vê.
Poesia pra mim é quando alguém aponta algo que ta na sua cara e você não tinha visto. Por isso é fascinante: é um dar-se conta.

Em 2015, no meio de horas boas, me senti muito triste. Mas daquela tristeza funda, sem fé, sem gosto. De saber que existe um monte de coisas ótimas, e desfrutar de nada disso.
Quando foi meu aniversário, ganhei de presente um Manoel de Barros. Depois voltei pro Ferreira Gullar. Li Guimarães Rosa todo.
Mais pra frente um pouco, uma amiga me deu Alberto Caieiro; uma pilhinha de cordéis chegou pelo correio. 

Esses dias, vi uma citação que diz “Os olhos não enxergam direito se a imaginação estiver fora de foco” (aparentemente, é Mark Twain). Então, bom, pedi ajuda destes senhores pra ajustar minha lente.

Usando os óculos dos poetas, como o sorriso tímido de alguém com dentes tortinhos não vai ser uma doçura? O matinho nascendo no canto da calçada, a tinta que lascou.
Em produção de fotografia tem um estilo que o pessoal chama de “simple bold”, que não é bem a mesma ideia, mas tem a ver com minha digressão. Por exemplo, essa onda de “naked cake” é meio que uma forma de achar as coisas bonitas como são, bem simples. 
Sem acrescentar muito – apenas o que realce a habilidade de encontrar beleza miúda e cotidiana, como florzinhas dentro de um vidro, ou polvilhar açúcar em cima de um bolo nu.

07/09/2016 20:05:35

Genoveva Gonçalves

Comentário
Engraçado como as pessoas são diferentes. Eu pelo contrário, desde o primário da escola eu já adorava poesia e vivia inventando várias com rimas. Até hoje em dia lembro de algumas vez ou outra... mas tenho achado meio chato livro de poesia agora que adulta.

Resposta da Flora
Poxa, que coisa! O engraçado é que até esse momento que contei no texto, eu colocava toda a poesia do mundo no mesmo pacote. E aí a gente vai ver, e existem milhões de estilos diferentes. Quem sabe logo mais te aparece um livro novo e encantador? :) Volta sempre! Bj.

07/09/2016 16:20:54

Laura Osório

Comentário
Poesia pra mim também é dar conta de algo. Poesia tem essa função!

Resposta da Flora
veja que loucura, demorei tudo isso pra descobrir, menina! agora, as pilhas de livros aumentaram ainda mais rs

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