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Comida de rua - food trucks em São Paulo.

24/10/2014 - 3 Comentários - Comida de rua |

Todas as imagens e o texto neste post são de autoria de Gabriel Marzinotto.

Aqui na minha coluna do blog É o que tem pra Hoje defini comida de rua de forma bem abrangente: não é só aquela encontrada nas ruas e calçadas, e sim aquela comida rápida, prática e barata que encontramos pela cidade, de certa forma menos isolada do ambiente ao redor, do bairro e da comunidade. Mas claro: barraquinhas e vans sempre serão formas mais... puras, digamos.

Essa semana decidi falar não de uma comida ou local específico, mas sim de uma iniciativa que começou a “pegar” aqui em São Paulo no último ano: os Food Trucks. Pra quem não conhece, são caminhõezinhos bonitos, bem feitos e que servem, geralmente, versões mais chiquetosas das banquinhas populares. A infame versão gourmet.

O louco daqui é a distribuição dos trucks: por razões legais do município não podem andar livremente pela cidade e estacionar onde quiserem. A burocracia é muito chata e as eventuais autorizações são muito disputadas, o que torna mais prático ficarem durante o dia parados dentro de estacionamentos ou vagas de lojas e empresas e à noite reunidos em espaços amplos para realizarem as cobiçadas feirinhas de food trucks. Vem trazendo bastante público. Então dá-lhe hot-dog gourmet, sorvete gourmet, coxinha gourmet, hambúrguer gourmet... até churro gourmet.

Já fui duas vezes naquele espaço na praça Benedito Calixto – a primeira alguns meses atrás, na feirinha gastronômica “normal” (mas que contava já com a presença de alguns trucks) e a segunda há algumas semanas no evento de quinta à noite, a reunião dos caminhõezinhos.

Minha primeira reação foi negativa: sou um cara da comida de rua mais roots, digamos. E aquele ambiente não é o meu. Aí vem à tona aquele sentimento contra essa nova onda, embalado por reclamações gerais que ouço de todo mundo: agora tudo em São Paulo tem versão gourmet, sempre mais chique, sempre mais cara.

Foi conversando um dia sobre esse assunto com a senhorita Flora (a anfitriã deste blog) em uma tarde de lámen e doces na liberdade que estruturei e verbalizei minhas críticas a essas manias. Não só à mania do gourmet, mas principalmente à mania de se achar que essas versões não são legítimas.

O fenômeno da “gourmetização” tem sim lados negativos. Por exemplo: na onda do sucesso de alguns estabelecimentos, muitos acabam seguindo a linha – ou a aparência – mais chique e lá vai o preço para o alto e avante. Entretanto, a conclusão não deve ser que o fenômeno é negativo, é só um de seus lados.

Esses caminhões são itinerantes, então é preciso sempre descobrir onde eles estão se quiser visitar. Você pode seguir as páginas dos eventos no facebook, ou dos próprios trucks. Um site legal pra quem está em São Paulo é o FoodTrucker, que mostra onde estão os diversos carros cadastrados e onde estarão nos próximos dias. O Foodtruck Nas Ruas é bem parecido, mas um pouco mais confuso. O lado bom é que tem uma lista maior de foodtrucks e cobre mais cidades.

Nessa última vez que fui na Benedito, no evento chamado Panela na Rua, busquei deixar essa minha implicância de lado e sacar o porquê do sucesso dessas feirinhas. Gastei um pouco mais para provar mais coisas, mas não vou me aprofundar muito em cada item - mais descrever como foi ir lá. O clima da galera é bem animado. As pessoas parecem felizes em comer e experimentar comidas diferentes assim, em um espaço público. Que nem quando vamos à feira só pra comer pastel e beber caldo de cana. O preço alto restringe bastante o público aos mais abastados, ao mesmo tempo que acaba promovendo uma festa de comida de rua para pessoas geralmente mais reticentes em comer um hambúrguer numa barraca próxima ao metrô Tietê.

Decidi seguir essa linha e experimentar o cheeseburger (com pepperoni) do Thata. O preço era um pouco alto pelo tamanho, como esperado (R$16,00). Pedi também uma porção de batatas rústicas. O hamburguer achei... normal. Estava gostoso, mas não excepcional. Me lembrou aquele do Seu Oswaldo, ainda o melhor hambúrguer de bar da cidade (que vai provavelmente render uma coluna futura), mas menos gorduroso e um pouco mais sem graça. O pepperoni não acrescentou muito, só um toque legal. A batata eu curti pra caramba, preço ótimo, R$7,00, mas frita na medida certa e ultra bem temperada. Recomendo bastante.

Minha amiga Mayumi estava comendo um ceviche de um truck japonês, o Taikô. O peixe estava incrivelmente fresco (geralmente usam peixe namorado e substituíram por peixe prego por estar mais fresco). Achei bacana, bem temperado – apesar de não ser muito minha praia. Também peguei uma alheira pra compartilhar com a galera no carrinho do Por Aí, de culinária portuguesa. Alheira, quando de qualidade, é sempre excepcional. E esse foi o caso. A porção era bacana e o pessoal que não conhecia curtiu bastante (em São Paulo não é tão comum achar especialidades portuguesas, mesmo a colônia sendo bem representativa). Experimentei uma mini coxinha de nutella – divertido, 10 coxinhas por R$8,00 – e o churro chique do Chucrê, 5 palitos acompanhados de doce de leite por R$10,00. Bem bom também.

No final, a grana foi alta. Algumas coisas estavam com o preço um pouco exagerado. Mas dá pra entender: os caminhões são extremamente bem cuidados, reformados especialmente pra isso e com belas pinturas e acabamentos. As comidas são (bem) feitas com ingredientes de qualidade. Claro, rola uma frescura. Cachorro quente com queijo Gruyère. Mas quem quiser experimentar agora tem a possibilidade. E qual o mal nisso?

O mal pode ser a substituição. A comida mais cara acabar com as versões populares. É um pouco o que vem acontecendo com as brigaderias. Os preços deram uma disparada. Mas difícil imaginar isso acontecer com hambúrgueres de padaria ou com coxinhas de bar. É importante sim ser crítico com os excessos, com o preço às vezes injustificado, mas desqualificar somente por uma romantização da versão “de verdade” me parece pobre. Não existe nenhum mal em somar e diversificar a oferta de um produto – acho que o caso mais legal tem sido o das cervejas importadas, artesanais ou de pequenas cervejarias. Abriu um leque maior para quem curte, sem prejudicar quem só queria beber uma breja pra se refrescar no fim do dia.

Quem quiser discutir, por favor comente! No próximo mês volto com a coluna no modelo tradicional: lugares bacanas pra comer pela cidade e uma receita pra opção caseira. Até a próxima!

29/10/2014 23:30:24

May

Comentário
Legal o texto, gabs. ^^ Eu acho q nao substitui, mas tem comida q não vale o preço. E a gente foi ao food truck do butantã há duas semanas. Mais caro do q o da benedito e com algumas picaretagens...no da benedito eu volto, mesmo com a banda ao vivo, mas não volto ao butantã, não

29/10/2014 21:08:22

Gabriel Marzinotto

Comentário
Video bem massa. É bem isso mesmo, Vitão. Mas a pipoca não consigo justificar.

27/10/2014 11:42:31

Vitor Cheregati

Comentário
Legal o texto, Gabriel. Me fez lembrar desse vídeo aqui: http://mais.uol.com.br/view/mqjcbg9znoh1/15194180?types=A&

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