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Comida de rua - churrasco grego e shawarma!

22/08/2014 - 10 Comentários - Comida de rua | Alho, Cebola, Pão, Sanduíche, Tahine

Gabriel é um amigo que conheci estudando cinema, no primeiro curta em que me chamaram pra fazer assistência de câmera.
Durante a faculdade, lembro dele como técnico de som, microfonista e roteirista - se bem que ele tenha dirigido cena também (em filmes que não cheguei a trabalhar).
É um cara ótimo pra conversar sobre música, escreve sobre filmes e quadrinhos, e outro assunto que temos em comum é comida. Cada um gosta de coisas bem diferentes: eu com minhas verduras orgânicas e integrais, ele apaixonado por bacon e biscoitos recheados. Mas há itens sobre os quais temos de concordar: lámen, comida italiana, pães, doces. 
O lance é que o Gabriel aprecia e conhece lugares excelentes para comer na rua - e vai nos apresentar nesta nova coluna os lugares que ele visita por São Paulo e além. Com a palavra, Gabriel.

Opa! Sou o Gabriel Marzinotto, um cara que vive em São Paulo - na Mooca, precisamente - e realmente adora esta cidade.
É um lugar tão gigante, cheio de opções, que não entendo quando ouço alguém falar "preciso viajar pra escapar um pouco daqui". Quer dizer, até entendo, é uma cidade cheia de problemas e sempre ligada no 220v. Mas é também tão bagunçada e cheia de opções onde se menos espera, que me deixa tranquilo: sempre vai haver algo a se fazer, algum canto bacana pra se achar. E pra comer, rapaz, aqui é um lugar massa demais.
E é sobre isso que é a coluna: comer bem pelas ruas da cidade. Não só comida de barraquinha ou carrinho, mas também aquela comida rápida de balcão, ou aquele muquifinho onde se gasta pouco e se come algo que só se acha por aí, longe do conforto de casa.
E aí entra a segunda parte da coluna: a tentativa de reproduzir e adaptar essa comida de rua pra dentro de casa.
Pra quê, podes perguntar, se todo o charme é achar cantos e comidas espalhados pela cidade? Porque as vezes dá preguiça, uai. Ou porque as vezes você tem aqueles amigos ou familiares que tem receio de comer um churrasgato no centro. Ou porque, enfim, é divertido cozinhar coisas divertidas. 
Espero que gostem. E pra começar, o clássico dos clássicos...
Churrasco Grego e Shawarma!


Todas as imagens e o texto neste post são de autoria de Gabriel Marzinotto.

Tem a coxinha e os salgados de balcão. Tem o cachorro-quente. Tem o churro recheado. Tem milho e pamonha. Mas quando penso em comida de rua popular aqui em São Paulo penso imediatamente no churrasquinho grego. Talvez porque quando pense em São Paulo eu pense no centro, nos sebos e livrarias antigas da Sé, no Banespão, naqueles picos de suco com mil sabores batidos com leite... e no cheiro que exala daquele carrinho diferente com gavetinhas e uma carne espetada.
Tem componentes únicos. É amado por muitos e temido por outros muitos: parece apetitoso, mas pode ser sujão.
O churrasco grego é uma variação brasileira do gyro, que é uma variação regional grega do döner kebab (turco) e do shawarma (libanês). O que todos tem em comum é: fatias de carne colocadas prensadas juntas em um espeto, geralmente vertical, alternada com gordura e possíveis fatias de cebola, tomate, e cortada em lascas e servidas em um pão. Coisa simples.

Uma das opções mais legais é o Churrasco Grego Gostei, no entorno do Mercadão. Nome excepcional.
É um dos mais recomendados pra quem quer quebrar a barreira do preconceito: é bem limpo, bem movimentado, carne muito boa e funcionários gente boa. Tem opção de carne, frango e misto. Fui com meu amigo Murilo e pedimos um de carne cada.
Vem com vinagrete (opcional) e aquele famigerado suco grátis – uva ou laranja. O sabor faz jus ao cheiro: delicioso. A carne fica ultra saborosa quando assada assim, espremida entre os temperos e fatias de gordura. O preço é demais – R$3,50 – o que te deixa livre pra comer uns 3, já que não é muito grande. É uma dica excelente pra quem for dar um rolê no Mercadão e não quiser gastar aquela grana mais forte no (também excelente) sanduíche de mortadela do Hocca.

Na Europa o kebab e o shawarma são bem populares entre os mochileiros, com variações ogras – com batata frita e outros lances – que servem de opção barata e gostosa nas viagens.
Aqui em São Paulo a colônia turca não é muito grande, mas talvez por influência desses turistas surgiram nos últimos anos pela cidade diversas kebaberias, uma opção mais higiênica e chic aos malditos churrasquinhos gregos. O que é legal e bacana, mas é difícil não ver a contradição em pegar por um lanche tão simples um preço tão alto - é normal ver preços a partir dos R$20,00.

O mais engraçado é que o shawarma, a variação libanesa, sempre foi mais tradicional por aqui, mesmo que muitas vezes não servida nos restaurantes árabes mais populares. E sempre foi mais barata e mais bem servida. Existem ótimas opções espalhadas, talvez fora da mão do eixo “Av. Paulista / Vila Madalena”, mas que valem conhecer.
O meu favorito é o Abu Ali, no Pari. Em frente à mesquita, é um açougue halal, mercearia e restaurante árabe. Dá pra sentar em mesas lá dentro ou se preferir comprar um shawarma (ou um folhado de creme de nata) e comer na rua mesmo. E além de enorme, bem temperado e bem preparado, custa só R$10,00. Uma maravilha.
Fora o clima. Frequentado pela galera da mesquita, é comum ouvir as mesas em volta só falando árabe. Assim como é comum notar alguns olhares desconfiados com pessoas estranhas - por exemplo, vi clientes se incomodando quando fui tirar umas fotos. Me deixaram tirar tranquilo, mas sem aparecer ninguém. Daí não consegui uma foto da fachada, só uma tirada de dentro pra fora (artístico pra caramba). Tem gente que se importuna com isso tudo, mas eu acho mais legal quando o lugar tem regras próprias e parecem ser bolsões de uma realidade distinta aqui no meio da cidade.

Também legal é o Abu Zuz, no Brás. Parece mais uma padaria/bar bacaninha, com balcão e mesas, mas com ótimos pratos árabes. O shawarma é famoso, com diversas opções de recheio, mas o que vale a pena é o incrível shawarma de MIOLO. Assim como tem gente torcendo o nariz pro Churrasco Grego, tem muita gente que tem receio de encarar miolo.
E eu entendo, a aparência da peça pode ser meio chocante, e não estamos muito acostumados a comer aqui em São Paulo (é até meio difícil de achar).
Por isso é legal chegar cedo, na hora do almoço – costuma acabar antes das 15h. Fui com meu amigo

Rafael. É uma maravilha, ultra bem temperado, com as lasquinhas semi cremosas do miolo contrastando com a cebola crocante. É um pouco mais caro que o do Abu Ali – R$ 12,50 – e o de carne não é tão generoso quanto o do Pari. Mas toda vez que estiver ali na região vale a pena uma passada pra comer um miolinho.

Endereços!

Abu Ali - Rua Barão de Ladário, 922, Pari - (11) 3227-3535
Abu Zuz - Rua Miller, 622, Brás - (11) 3315-9694
Churrasco Grego Gostei - Rua Comendador Afonso Kherlakian, 194, Sé.

 

AGORA, E SE EU QUISER COMER EM CASA?

Claro, é demais poder comer tão bem pela cidade, cada bairro com aqueles lugares especiais. Mas às vezes é legal querer fazer aquilo que comeu nas ruas no conforto de casa e poder dar uma inventada.
Fiz aqui em casa um esquema duplo: comprei tanto pão folha quanto pão francês e deixei opcional pra quem quisesse um shawarma ou um churrasco grego. Pra deixar mais legal, fiz um vinagrete pra compor o grego e arranjei uma lata de tahine pra temperar o shawarma. O bloco de carne montei um só, aí era só cortar – mais fino pro churrasco grego, mais em tiras pro shawarma – e ser feliz.

A receita foi um mix de outras que achei na internets, dicas do cara do Churrasco Grego Gostei e improvisações minhas e da Catharina, minha namorada que me ajudou neste dia tão feliz. Os ingredientes são os seguintes:

500g de Contra Filé em bifes finos
500g de Coxão Mole em bifes finos
2 Cebolas cortadas em rodela
8 Dentes de alho
Sal
Salsa
Vinho tinto
Barbante (de algodão)
Espetinhos de churrasco

Para acompanhar:
Tahine
Vinagrete (simples)
Farofa (comprei já pronta, mas você que sabe)
Pão francês ou pão folha (ou pão sírio).

Então, o importante da manufatura é montar a pilha dos bifes intercalados entre si e entre os temperos. Aí que vem a possibilidade de inventar. Não precisa ser Contra Filé e Coxão Mole, pode ser com outros cortes que te agradem mais.
O que tem que levar em conta é que pelo menos uma delas precisa ter mais gordura, pra no forno a mesma derreter e deixar o bloco todo mais suculento.
Uma dica é comprar um teco de costela bovina, super gordurosa, e colocar poucas fatias no mix, só pra conferir mais banha.
Não fiz isso porque... bem, o negócio todo já estava bem gordo, tanto o Contra quanto o Coxão com aquela capa de delícia, e ao contrário das versões de rua essa ia ficar inteira na minha casa, dando mole pra mim, como uma sereia chamando o gordinho pra safena prematura.

A mesma liberdade vale para os temperos. A maioria coloca cenoura ao invés do alho, mas como eu não gosto de cenoura, enfim. Não tem cenoura. E o alho eu coloquei descascado e picado, mas em um trecho deixei os dentes quase inteiros, pra ter aquela surpresa na hora de comer. Algumas receitas falam pra temperar a carne com 12 horas de antecedência, marinando em molho inglês e ervas a gosto.
Eu fiz o mais básico, mas aposto que fica bem bom. Na próxima penso em deixar temperando na cerveja Malzebier – veremos, veremos.

Voltando. A montagem. O lance é empilhar as carnes, intercalando os tipos com os temperos. Eu usei um espetinho de churrasco como coluna central, uma fatia de Coxão Mole de base e – pra compensar a diferença de tamanho – duas de Contra Filé por cima. O “certo” seria ou usar um corte mais largo (como fraldinha ou alcatra), mas com o Contra menor pude distribuir melhor a gordurinha também pelo miolo da pilha. Depois de colocar os bifes, enchi de cebola, alho, e já cobri com mais uma fationa de Coxão Mole. Aí é só recomeçar o processo até esgotar os recursos (aqui deu 3 andares, mas varia conforme a finura da carne). O ideal é terminar com um bife largo, pra cobrir o edifício.

Depois disso é só cortar o que sobrou do palito e usar essa sobra pra dar mais uma espetada, pra deixar mais firme.
Agora vem uma parte divertida. Amarre esse blocão com um barbante (100% algodão) pra não escapar nada e dê uma passada numa frigideira bem quente, pra selar as bordas. Não só em cima e embaixo, tem que colocar ele de pezinho e girar, pra chapar as laterais. Já coloque o forno pra pré aquecer e deixe ali do lado uma assadeira com papel alumínio aberto, porque terminando essa grelhadinha você rapidamente embrulha o bloco no papel e coloca no forno.
Nessa hora é legal tacar um teco de vinho tinto, antes de fechar, e colocar por cima o que sobrou das cebolas e dos dentes de alho (se sobrou).

Uns 40 minutos de forno médio já assaram bem, mas deixei 15 extras sem o alumínio, pra deixar as bordas mais crocantes. Aí é só tirar o barbante, cortar e servir. Na bandeja coloquei, ao lado, um pote de vinagrete e bastante farofa, uma alternativa caseira da gavetinha do sabor. Na versão shawarma, usei bastante tahine (a parte cremosa) pra servir de base, taquei a carne e o vinagrete, enrolei (da forma mais errada, provavelmente) e joguei um pouco do líquido do tahine por cima do recheio. Uma maravilha.
Se você curtir pimenta, é a hora de jogar seu molhinho favorito. E é isso.

Uma versão caseira do churrasquinho grego, ou do kebab, ou do shawarma. Claro que nada bate comer um lanchinho na rua, suco grátis incluso, mas o resultado é bem bacana e você pode chamar aqueles amigos ou parentes que têm receio de comer no centro pra perder um pouco do preconceito. E aproveitar pra sair inventando sua própria versão.

Espero que gostem!

15/02/2017 20:24:30

alex

Comentário
Mt bom esse lanche vou começar a vender tbm espero ter sucesso.

Resposta da Flora
Sucesso pra você Alex! :)

10/02/2017 11:31:16

selma

Comentário
qt tempo em media demora p assar um jurrasco grego

Resposta da Flora
Oi Selma! Para 1kg de carne, deve demorar em torno de 45min a 1 hora no forno a 200oC (médio), mais um pouquinho sem o papel alumínio para dourar no final. :)

01/11/2016 18:24:59

ANDRE

Comentário
Como faço para montar o espeto para churrasco grego.Que carnes devo usar. Como devo temperar. Aonde encontro uma faca que corte bem fininho. Como faço para ter a carne sempre fresca e assada durante todo o dia e a todo pedido.

Resposta da Flora
Oi Andre! Tudo bom? Rapaz, sobre o tipo de carne a escolher como fazer a montagem em casa, o Gabriel explicou aqui no post mesmo. Não temos o conhecimento dos detalhes para preparar este lanche de modo profissional, para servir ao longo do dia. Sobre isso, talvez o livro "Hora do lanche", da editora Senac, pode te ajudar. Sobre onde encontrar boas facas, praticamente qualquer loja que venda utensílios para cozinha vai ter alguma opção que te atenda. Aqui fiz um post sobre este assunto, pode ser que ajude: www.florarefosco.com/posts/Detalhes-t-o-pequenos/138/facas Se tiver mais alguma dúvida, é só escrever, que vamos tentar ajudar. Um abraço!

27/10/2016 17:09:56

Jussara

Comentário
Por qd posso vender um lanche de churrasco grego?

Resposta da Flora
Oi Jussara! Tudo bom? Para formar o preço quando for vender o lanche, é preciso levar em consideração muitas informações, como por exemplo o custo dos ingredientes, o local onde você vai vender, a margem de lucro que você quer. Tem um livro ótimo da editora Senac que ajuda muito quem quer vender lanches, docinhos, seja em uma lanchonete própria ou em um carrinho, informalmente... é o Hora do Lanche. Ele fala sobre esses assuntos administrativos, sobre as licenças que precisa ter, normas de higiene, receitas. Espero que ajude! Qualquer coisa, é só me escrever, ok? Um abraço, volta sempre.

07/09/2016 09:07:22

Joao

Comentário
Morei na Alemanha e tenho saudade dessas comidas. Vou ver se visito esses locais quando for em São Paulo.

Resposta da Flora
Tem umas comidas que ficam associadas com os lugares e os dias que a gente passou lá, né João? Comida de rua geralmente é guardada na memória com muito carinho! Se tiver dicas ou sugestões de posts, escreve pra nós, ok? Bj! Volta sempre.

15/04/2016 23:41:21

cida

Comentário
gostaria de comer churrasco grego aqui em Sorocaba mas nunca consegui achar onde fizese , vcs conhcem algum lugar aqui em Sorocaba onde fazem o churrasco grego.

Resposta da Flora
Bom dia, Cida! Vou perguntar ao Gabriel, já já voltamos com notícias :)

06/04/2015 13:43:29

Gabriel

Comentário
Olá, Narcia, não conheço nenhum lugar que vende os espetos prontos. Talvez seja legal descobrir com algum vendedor de churrasco grego, ele deve saber melhor!

28/03/2015 16:43:34

narcia

Comentário
Ola eu sou de salto do lontra no parana tenho uma lancheria,e gostaria de vender kebab moreimuitos anos na italia e la realmente e uma delícia, gostaria de saber se aqui a gente acha a carne pronta pra comprar la se compra os espetos de carne ja pronta.se puder me enformar alguma coisa eu agradeço . obrigada

24/10/2014 17:06:27

Monica Prieto

Comentário
Gostei muito das dicas e gostaria de perguntar sobre quantidade. Quantas receitas seriam suficientes para fazer umas 50 unidades na versão shawarma ? Obrigada. Abraços. Monica.

Resposta da Flora
Oi Monica, tudo certo? Falei com o Gabriel, segue a resposta dele: "eu estimo que entre 3 e 4 receitas bastem. O shawarma é mais parrudo que o churrasco grego, tem que estar bem recheado. Como alternei entre os dois não consigo te dar um número exato, isso é uma estimativa mesmo..." Se você preparar a receita, pode mandar uma foto pra gente através do botão que tem ali no fim do post "I cooked this". Obrigada por deixar seu comentário! Volte sempre :)

24/08/2014 16:12:47

MAria Isabel Lopes

Comentário
Gostei muito das dicas e da receita. Vou tentar fazer.

Resposta da Flora
Oi Maria Isabel! Obrigada por deixar o comentário. Depois volte pra nos contar como saiu sua versão, viu? O Gabriel comentou sobre as vantagens de ter a receita para preparar em casa, mas acho que ficou faltando uma: nem sempre na cidade em que estamos dá pra encontrar todo tipo de comida de rua, né? Aqui em SP tem muita coisa, mas em SC onde cresci, acho que nunca vi um churrasquinho grego nem nada parecido. Um beijo!

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